Cultura afro-brasileira é tema aqui no ZoaSom

Zoasom – pgm 68 – tema: Cultura Afro / Convidados: Paulo Carrano – Professor da Universidade Federal Fluminense e um dos fundadores do Pontão do Jongo e Cridemar Aquino – ator da Companhia teatral, Cia dos Comuns / Músico: Lucio Sanfilippo

Danças, ritmos, sabores, palavras e religiões. São muitos os legados que os negros vindos da África deixaram para nós. Apesar disso, o preconceito ainda é uma realidade quando o tema é a cultura afro-brasileira.

Pensando nisso e para comemorar o Dia da Consciência Negra, o Zoasom dessa semana vai discutir como romper essa barreira de preconceito e falar sobre essa herança cultural tão presente no nosso dia-a-dia.

Como o negro é representado em nossa sociedade? Quais os avanços no combate ao preconceito? O que ainda é preciso mudar?

Essas e outras questões você encontra no Zoasom da próxima quinta-feira, 17 de novembro, a partir das 17h.

E, lembre-se, você pode e deve participar do nosso programa. Para isso, venha para o auditório da Rádio MEC, na praça da República, 141-A, Centro do Rio. Ou então, mande uma mensagem pelo Twitter @zoasom ou um SMS para 8778 5366.

Nos vemos lá!
Fonte: Zoasom/Rádio MEC

Aumentar tempo do aluno na escola não basta

(Thaís Carrança)

O ministro da Educação Fernando Haddad anunciou que está em estudo o aumento do tempo de permanência dos alunos nas escolas. Isso poderá ser feito através da ampliação do número de dias letivos, de 200 para 220 dias, do aumento da jornada diária, de quatro para cinco horas, ou de uma combinação das duas possibilidades. Especialistas veem a proposta com ressalvas, afirmando que ela só fará diferença de fato sobre o aprendizado, caso esteja inserida num projeto pedagógico e venha acompanhada de outras medidas, como o investimento na formação e valorização do professor.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), a ideia de ampliar a jornada escolar se sustenta em estudos que apontam um impacto positivo na aprendizagem com a ampliação da exposição dos alunos ao professor. Um desses estudos, coordenado pelo secretário de ações estratégicas da Presidência da República, mostra que o aumento de dez dias no ano letivo pode elevar o aprendizado do aluno em até 44% no período de um ano. “O estudo buscou avaliar o impacto de uma intervenção, tendo tudo mais inalterado”, explica o economista André Portela, da Fundação Getúlio Vargas, um dos coordenadores da pesquisa. A equipe analisou quase 200 estudos científicos nacionais e internacionais, a partir dos quais elencou 25 atributos do sistema educacional e avaliou como a alteração de cada um deles afeta o aprendizado dos estudantes.

No entanto, Portela afirma que não é possível prever o resultado da implantação da medida na prática: “Até que ponto aumentar o nosso calendário escolar em dez dias vai ter um impacto exatamente igual a esse [demostrado na pesquisa], obviamente, a gente não sabe. Certamente, aumentar a exposição do aluno ao professor vai melhorar [o aprendizado]. Quanto exatamente, vai variar de rede a rede, de situação a situação”, afirma.

O economista lembra também que, na implementação, diferentemente do estudo, onde o elemento variável é isolado, a mudança pode produzir impactos derivados. “Aumenta o calendário, será que isso não vai fazer com que os professores fiquem mais desestimulados? Ou será que isso não vai aumentar o absenteísmo do professor? Ou fazer com que os alunos faltem mais às aulas? Se esse aumento fizer mudar outras coisas, que prejudiquem o aprendizado do aluno, é claro que não vai dar esse resultado que o estudo encontrou”, pondera.

O estudo também analisou outras medidas de ampliação da exposição do aluno ao professor, como a elevação do número de horas diárias, a redução de turmas e do absenteísmo docente e a adoção de cursos de recuperação e de férias. Segundo ele, o que pode determinar qual dessas medidas terá melhor resultado como política pública vai depender do custo de implementação de cada uma delas.  Assim, aumentar o número de dias pode ser mais vantajoso do que o de horas diárias, uma vez que dessa forma não é necessário ampliar ou melhorar a infraestrutura das escolas já existentes, como afirmou Ricardo Paes de Barros, coordenador geral da pesquisa, à Agência Brasil. Mas Haddad admite que, qualquer que seja a opção, serão necessários mais recursos para a educação, o que, segundo ele, deve ser alcançado com a elevação para 7% do PIB para a área, prevista no novo Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Congresso Nacional.

Críticas – O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, repudia o primado da economia na tomada desse tipo de decisão. “Eles têm o desplante de dizer ‘Vamos fazer a mais econômica, aquela que é mais fácil, mais barata’, ao invés de aumentar o número de horas por dia, o que precisaria de um projeto, de uma proposta pedagógica”, critica. A CNTE defende esta segunda opção, através do ensino integral. Para o sindicalista, a proposta vem numa hora ruim, quando professores de diversos estados estão em luta pela efetivação da lei do piso salarial nacional para o magistério. “Primeiro vamos resolver problemas que são essenciais para valorizar o profissional e depois vamos ver essas outras questões, que são importantes, mas não podem vir sacadas do bolso do colete, sem discutir com ninguém. É necessário fazer uma discussão mais ampla”, acredita.

O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Minas Gerais (UFMG), Juarez Dayrell, discorda em parte. “Eu não acho que uma coisa seja pré-requisito da outra. Agora, que precisa das duas dimensões, precisa. Mas você pode pensar [de forma] concomitante”, diz. O educador vê com bons olhos a proposta do MEC, afirmando, porém, que este tempo maior deve garantir momentos de socialização mais livres entre os jovens. “Se a gente fosse pensar em termos ideais, se tivéssemos equipamentos culturais em todas as regiões das periferias, esse papel não precisaria ser cumprido pela escola, mas isso não é real hoje”, afirma, e sugere que, para a implantação da educação integral, seria necessária a oferta de bolsas de estudo para os jovens do ensino médio público, uma vez que muitos deles precisam trabalhar para se sustentar ou prover para suas famílias.

A professora de história da rede estadual paulista Regina Oshiro, percebe no seu dia a dia a dificuldade que os jovens enfrentam. “Lido com os últimos anos do ensino médio. A sociedade hoje demanda cada vez mais que os alunos estudem o tempo todo, é o que se vê, por exemplo, com a expansão do ensino técnico. Os estudantes que fazem técnico além do ensino regular ficam mais estressados, o cansaço é maior, eles faltam mais por não conseguirem acompanhar os dois cursos”, conta. Para ela, portanto, não é apenas o aumento do tempo que define a qualidade. “É preciso levar em conta outras questões, como currículo, condição de trabalho e a própria condição dos estudantes. Da forma como está colocada, a proposta do ministério é inócua”.

Paulo Cesar Carrano, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), também acredita que não é possível discutir a ampliação da jornada sem tratar das condições atuais da escola: “Hoje, apenas aumentar os dias letivos ou o horário diário, será oferecer mais do mesmo: escolas sem condição de oferta, prédios inadaptados, professores mal remunerados”. Segundo ele, a ampliação da permanência na escola deve ser acompanhada de um aumento no leque de atividades. “Devem ser oferecidas atividades relacionadas a passeios, arte, música, clube de ciências, ou seja, a escola deveria ser um espaço mais plural em termos de experiências educativas”, afirma. “É positiva a preocupação do ministério, mas se a questão for encarada apenas do ponto de vista quantitativo, do número de horas, é reducionista. Quando o conjunto de atores envolvidos com a escola forem ouvidos, não apenas os economistas, eu creio que o debate vai ganhar outro patamar”.

Fonte: Blog Tô no rumo

A escola não é tudo

JC e-mail 4370, de 24 de Outubro de 2011.
5. A escola não é tudo
Artigo de Luciano Mendes de Faria Filho publicado no Estado de Minas de hoje (24).

Recentemente o Estado de Minas publicou matéria noticiando que famílias de classe média faziam fila para matricular seus filhos nas unidades municipais de educação infantil de Belo Horizonte. O teor da matéria denunciava, por si só, o quão inusitada parecia aquela situação. Do mesmo modo, os cadernos de economia e política de praticamente todos os grandes jornais brasileiros têm dado ampla cobertura à emergência das chamadas novas classes médias na cena política, cultural e econômica brasileira. Estariam as camadas médias reivindicando, novamente, o seu direito a uma escola pública de qualidade? Estaríamos, agora, novamente diante da defesa de uma escola pública para todos e não apenas para os filhos dos outros?

 

Normalmente, no Brasil, as chamadas novas classes médias são definidas a partir de seu perfil econômico – salário e consumo -, razão pela qual sociólogos como Jessé de Souza têm se posicionado contra essa denominação, tanto por sua insuficiência quanto por sua inadequação. Estaríamos, segundo eles, diante de uma nova classe trabalhadora (os batalhadores do Brasil, na afirmação de Jessé de Souza), com melhores salários e mais escolarizada, por exemplo, mas política e culturalmente distante das tradicionais classes médias. Ou seja, importa frisar que a emergência dessa classe trabalhadora é fruto muito mais da melhoria da renda do que de uma transformação cultural e política mais ampla.

 

Se assim o é, vale a pena refletirmos sobre a relação desse fenômeno com o campo da educação escolar, tida desde sempre como a principal alavanca para a melhoria das condições de vida das populações pobres. Em primeiro lugar, parece-me indiscutível que, muito mais do que uma melhoria da educação pública – pois é essa a escola frequentada pelos batalhadores do Brasil -, foram as políticas públicas de emprego, renda, salário e as dirigidas ao desenvolvimento econômico que tiveram grande impacto na melhoria da vida de parte significativa da população brasileira. Isso, é evidente, demonstra que a educação não é tudo e deveria servir de alerta para empresários e ativistas sociais que defendem melhorias na educação pública, mas criticam veementemente os gastos sociais do Estado.

 

De outra parte, é importante pensarmos nos desdobramentos dessa questão para o campo da educação pública. Como sabemos, há muitos anos, o sonho de consumo das famílias que passam a ganhar um pouco mais, inclusive das famílias de professores da escola pública, é colocar a criança na escola privada. Ou seja, desde há muitos anos, perdemos, no Brasil, a noção de que a escola básica, pública e gratuita, é um direito de todos nós e uma condição para que tenhamos um país mais democrático e com menos desigualdade social. As experiências de outros países e de alguns municípios brasileiros são contundentes: a participação das camadas médias na escola pública é uma condição importante para a sua qualidade e, no limite, para a própria consolidação de uma cultura

política democrática e, portanto, que não seja baseada em busca e distribuição de privilégios. Não porque as crianças das camadas médias sejam mais inteligentes ou coisa do tipo, e sim porque as camadas médias, de um modo geral, conhecem melhor o próprio funcionamento da escola e investem de maneira diferenciada nela.

 

Portanto, hoje estão colocados pelo menos dois grandes desafios para aqueles que lutam pela melhoria da qualidade da escola, pela diminuição das desigualdades sociais e pela consolidação democrática no país: produzir uma noção de direito à educação pública que abarque a todos nós e não apenas as camadas populares e, de outra parte, avançar na qualificação da escola pública de modo que os batalhadores do Brasil queiram e possam nela manter os seus filhos. Se não conseguirmos isso, estaremos uma vez mais nos distanciando dos nossos melhores sonhos.

 

Luciano Mendes de Faria Filho é professor de história da educação da UFMG, pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação, bolsista do CNPq.

Os Indiferentes

Antonio Gramsci

11 de Fevereiro de 1917

Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que “viver significa tomar partido”. Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.

A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.

A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.

Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.

Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.

Fonte: http://www.marxists.org/portugues/gramsci/1917/02/11.htm
 

O plágio e os trabalhos acadêmicos

Neste domingo (28/08/2011) o programa da Rede Globo Fantástico apresentou uma reportagem sobre Indústria de trabalhos escolares fatura alto com plágio. As facilidades proporcionadas pelo uso da internet na recuperação de trabalhos acadêmicos que são divulgados pelos programas de pós-graduação e em alguns casos pelos cursos de graduação têm aumentado o número de plágios no ambiente acadêmico. No entanto, não é difícil identificar um caso de plágio e em alguns casos basta digitar parte do texto do aluno e já se recupera toda a fonte de onde o mesmo foi retirado. Por outro lado, existe também a dificuldade dos alunos em aplicar as normas da ABNT para a elaboração de trabalhos acadêmicos, principalmente a norma de citações (NBR10520/2002) onde não é proibido copiar textos de outros trabalhos desde que se cite a fonte. Por ingenuidade ou não o plágio atrapalha o progresso da ciência e ainda o que se espera de um aluno universitário, da graduação e/ou pós-graduação, que é a capacidade de escrever, pois ao longo de sua carreira profissional será necessário mostrar sua habilidade com a escrita, mesmo os mais técnicos. O Sistema de Bibliotecas (SIBI) da UFRJ possui dois manuais para a elaboração de trabalhos acadêmicos, um para Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação e outro para Teses e dissertações. O Departamento de Comunicação Social da UFF criou a cartilha “Nem tudo que parece é: entenda o que é plágio” com o objetivo de educar os alunos para que não incorram neste tipo de situação. Em caso de dúvida na aplicação das normas da ABNT procure a Biblioteca.

Postado por Biblioteca do CFCH da UFRJ

Escolas precisam mudar para reagir à violência, defendem especialistas

Uol Notícias - Educação 25/09/2011 – 07h00

Em São Paulo
Com um novo caso de violência escolar –em que um aluno de dez anos atirou em uma professora em São Caetano do Sul (SP) e se matou–, o debate sobre como lidar com o problema volta à tona. Especialistas ouvidos pelo UOL Educação afirmam: as escolas precisam mudar para tentar evitar novos episódios. Essas mudanças também passam, dizem, pela família e pela formação do professor.

“A escola precisa mudar muito. Precisa evoluir muito em questões pedagógicas, nos métodos de ensino, no próprio relacionamento dos professores com os alunos”, afirma o professor da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) Evandro Camargos Teixeira. Ele defendeu, neste ano, uma tese de doutorado sobre as relações entre violência e abandono e desempenho escolar.

“Não é uma questão de coerção. Isso não vai acabar com o problema. Não adianta colocar a polícia. Ela vai lá para tentar resolver o problema que acabou de acontecer. É [preciso] uma política de conscientização de todos os setores”, afirma Teixeira.

Para Paulo Carrano, professor da Faculdade de Educação da UFF (Universidade Federal Fluminense), não houve muitas mudanças nas escolas nos últimos anos. “A disciplina escolar não mudou muito, a disposição das carteiras [na sala] não mudou muito”, diz.

Professor

Essas mudanças, afirma Carrano, também devem passar pelo professor. “O ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’, tem que ter lugar a outro tipo de autoridade. Os professores mais escutados [pelos alunos] são os que têm a autoridade do saber, que sabem o que estão dizendo, e os que têm a autoridade do afeto, que escutam, que dão valor às experiências que os alunos já trazem. O que consegue juntar as duas é o melhor professor.”

De acordo com o especialista, é preciso um esforço para entender as razões das atitudes violentas. “Os episódios de violência contra os professores poderiam de fatos ser diminuídos com ações que investissem mais na busca da compreensão de porque que surge o fenômeno da violência, do bullying. Se a gente não entender o que gera esse comportamento, não vamos ter soluções eficazes”, diz Carrano.

Família

Evandro Teixeira afirma também que é fundamental um acompanhamento de perto da família. “O próprio aluno se sente mais seguro ase a própria família está participando”, diz. Carrano concorda: “As crianças reproduzem aquilo que elas levam. Se as boas maneiras não aconteceram na família, a escola tem um problema.”

Fonte: Uol Notícias – Educação

Relações Étnico-Raciais na Escola – Blog da Pedagogia/UFF

Blog da disciplina das turmas da manhã e noite do Curso de Pedagogia da UFF/2012-2Neste segundo semestre letivo de 2011 iniciei trabalho com as turmas, manhã e noite, de Relações Étnico-Raciais na Escola do Curso de Pedagogia da UFF. Todo início de período, toda nova turma, representa um desafio. Porém, esta disciplina que me foi oferecida pelo departamento de ensino tem um sabor especial. Trata-se de uma disciplina obrigatória do novo currículo do Curso de Pedagogia e que representa uma síntese de muitas lutas e saberes pela afirmação da dignidade da população negra no Brasil. Ancorada por esse contexto de lutas de muitas frentes – sociais, culturais, acadêmicas, políticas, legislativas, religiosas etc – a disciplina joga um jogo decisivo na formação de professores. O jogo da democracia real não pode ser jogado sob a base do racismo persistente e das desigualdades de bases étnico-raciais que ainda existem no Brasil. Apesar do muito que já foi conquistado, a herança da iniquidade escravagista e da cínica abolição promotora de abandono da população negra estão presentes e visíveis nas estatísticas que expressam as desvantagens que recaem sobre a população negra e nas representações alienadas que violentam imagens e corpos dos negros e negras no Brasil. O Programa da disciplina se sustenta nos princípios da Lei 10.639/2003 e nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. No trabalho com a disciplina consideraremos a atualização legislativa promovida pela Lei 11.645/2008 que modificou a LDB (Art. 26-A) e tornou obrigatório também o estudo da história e da cultura indígena, além da afro-brasileira. Fiz a proposta da criação de um Blog para a articulação do trabalho coletivo entre as turmas e o desafio foi aceito. Temos já um espaço de divulgação e debate que transcende a sala de aula e o próprio grupo de estudantes que se amimaram a socializar na internet seus trabalhos, achados e reflexões. O principal objetivo do Blog (diversaescola.blogspot.com) é apoiar e socializar as boas práticas existentes nas escolas no trato com a implementação das referidas diretrizes curriculares. Fica, então, o convite para uma visita e interação com o nosso Blog de livre acesso para todos os interessados. Acesse aqui e participe!

Sociólogo desmonta matéria da Globo contra jovens britânicos

Sociólogo desmonta matéria da Globo contra jovens britânicos

Em entrevista ao Globonews, o sociólogo Silvio Caccia Bava faz uma análise aguçada sobre os últimos acontecimentosem Londres. Enquanto os jornalistas insistem em criminalizar os protestos, o sociólogo os contradiz, afirma que a reação violenta é uma resposta à falta de políticas públicas e à criminalização da juventude pobre, negra e marginalizada da Inglaterra. Vencida a polêmica, só restou à Globo encerrar a entrevista.

Fonte: Portal Vermelho - 12 DE AGOSTO DE 2011 – 0H00

Sou de Jongo (Filme completo para assistir e baixar da internet)

Pessoal, subi para a internet o nosso filme “Sou de Jongo” (1:07′). Para assistir e baixar. Depoimentos, danças, batuques e pontos de jongueiros e jongueiras das comunidades do sudeste.

Assista no UFFtube

Descrição : FICHA TÉCNICA
TÍTULO ORIGINAL:Sou de Jongo
GÊNERO: Documentário
DIREÇÃO: Paulo Carrano
ROTEIRO: Paulo Carrano, Marcela Bertolleti, Patrícia Ramos
EDIÇÃO: Marcela Bertolleti, Paulo Carrano, Patrícia Ramos, Sarah Esteves, Luciano Dayrell, Mariana Camacho
SOM: Patrícia Ramos, Estúdio Umuarama
DURAÇÃO: 01h07min’
SINOPSE: Homens e mulheres participantes de diferentes comunidades do sudeste brasileiro, praticantes da dança do jongo, entrelaçam depoimentos sobre suas vidas e esta cultura que tem sua origem nas práticas de trabalho, festa, religiosidade e resistência de seus antepassados africanos escravizados no Brasil. Os narradores contam e cantam a cultura jongueira – seus pontos, os tambores, a dança na roda – revelando também histórias pessoais de iniciação, envolvimento, superação de preconceitos – de gênero, raça e idade – e produção cultural.
Produção Pontão de Jongo e Caxambu – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Realização Observatório Jovem do Rio de Janeiro – UFF

Seleção de melhores em escolas deixa alunos para trás

Em Nova York, estudantes com dificuldades não conseguem vagas nas escolas mais qualificadas

The New York Times 31/07/2011 12:00

Mary Otero não queria cometer com sua filha Aaliyah, 11, o mesmo erro que cometeu com seus dois outros filhos já crescidos. Ambos estudaram na escola Charles O. Dewey 136, no Brooklyn, em Nova York, e dali para frente tudo foi por água abaixo.

“Muitas crianças na Dewey matam aulas e ficam nas ruas”, disse Otero. “As crianças são agredidas no parque”.

Ela temia que matricular sua filha em uma escola do ensino fundamental de baixo desempenho, como a Dewey, iria relegar Aaliyah a uma escola do ensino médio de baixo desempenho e com disso, como no caso de seus outros filhos, ela abandonaria a escola de vez.

Então, no ano passado, quando Aaliyah começou a quinta série na Escola Pública 24, Otero, uma artista gráfica freelancer e mãe solteira, praticamente memorizou o manual de escolas do ensino fundamental do Departamento de Educação. Ela participou da feira da escola de ensino médio do seu distrito e visitou escolas consideradas as melhores da região.

Os pais devem informar suas escolhas para o sorteio do distrito, mas o manual é vago sobre as exigências de cada escola. Todas as escolas listam os “critérios de seleção” dizendo a mesma coisa: “revisão de notas e resultados de provas”.

São os orientadores profissionais que dizem aos pais como as coisas realmente funcionam. Aaliyah chegou perto das notas exigidas nos testes.

Otero visitou a Escola do Ensino Fundamental 51, uma das escolas mais cobiçadas da região. “Eu vi como eles aprendem”, lembrou. “Todos os alunos estavam sentados e prestando atenção no professor.”

Ela também visitou a New Voices Escola de Artes Acadêmicas e Criativas, que requer uma audição. Aaliyah nunca teve aulas de música, mas a família tem um violão. “Estou apenas aprendendo”, disse Aaliyah. “Eu assisto a um canal de tevê com violões e vejo onde colocar os dedos”. Perguntada sobre como foi sua audição, ela disse: “Um pouco confusa”.

A primeira escolha de Otero para Aaliyah foi a Escola do Ensino Fundamental 51, em seguida, a New Voices, e ela listou a Dewey como última opção.

Em meados de maio, as cartas de aceitação chegaram.

“Dewey”, disse Otero. “Um completo desperdício do meu tempo. Ela poderia ter ido direto para a Dewey”.

Otero entrou com um recurso.

Muito antes do governo Bloomberg, os distritos ofereciam a escolha da escola. Mas nos últimos anos o processo se tornou mais complicado. O movimento de reforma criou um mercado educacional no qual as escolas competem por alunos. Isso é bom para os alunos selecionados para as escolas mais fortes, mas não tão bom para as crianças deixadas para trás e agrupados nas instituições mais fracas.

Entre 80% e 90% dos alunos entram em uma de suas três primeiras escolhas, de acordo com um porta-voz do Departamento de Educação. Mas os alunos com notas mais altas são mais procurados e têm melhores chances.

Christina Fuentes, diretora da Escola Pública 24, teme que as crianças estão sendo segregadas de acordo com suas notas, com os alunos que tiram as mais altas indo para um conjunto de escolas, e aqueles com as mais baixas para as que sobram.

Os 110 alunos de quinta série da Escola Pública 24 são em sua maioria pobres com necessidades especiais (92% qualificam para o almoço grátis, para 46% o inglês é uma segunda língua, 19% estão no ensino especial, de acordo com estatísticas mais recentes no site do Departamento de Educação). Eles foram aceitos em nove escolas de ensino médio para início no outono. O maior grupo, de 36 alunos, irá para a Dewey.

Cinco irão para a Escola do Ensino Fundamental 51.

Na Dewey, 90% dos alunos recebem merenda subsidiada, para 39% o inglês é uma segunda língua e 21% estão em educação especial.

As salas de artes da linguagem tem tamanho médio de 40 alunos.

Na Escola do Ensino Fundamental 51, 39% recebem almoços subsidiados, para 2% o inglês é uma segunda língua e 10% estão em educação especial.

As salas de artes da linguagem tem tamanho médio de 29 alunos.

Academicamente, a maioria das crianças com notas 3 e 4 na escola primária continuam a obter notas 3 e 4 na Escola do Ensino Fundamental 51, enquanto alunos com notas 1 e 2 continuam a obter notar 1 e 2 na Dewey.

Na Dewey, 12% são proficientes em artes da linguagem com uma pontuação média de 2,3 nas provas do Estado; 20% são proficientes em matemática com uma pontuação média de 2,4.

Na Escola do Ensino Fundamental 51, 82% são proficientes em artes da linguagem com uma pontuação de 3,34; 83% são proficientes em matemática com uma pontuação de 3.8.

Dennis Walcott, o chanceler das escolas, disse em um email: “Nosso objetivo é garantir que cada família, independentemente das opções citadas em sua inscrição, tenha seus filhos colocados em escolas que facilitem sua chegada a uma faculdade. Estou ansioso para envolver toda a comunidade e oferecer opções de qualidade para todos os alunos do ensino médio”.

Talvez algum dia, mas ainda não e isso desanima Fuentes, uma diretora que dedicou sua vida profissional para trabalhar com crianças pobres. Em 2010, ela foi uma das seis nova-iorquinas a ganhar o Prêmio Sloan de Serviço Público. “Precisamos de uma política melhor”, disse ela, “para que as crianças possam ser mais bem integradas.”

“Como esse pode ser o caminho certo quando tudo é tão desigual?”, disse.

Gloria Jaramillo, orientadora da Escola Pública 24, gostaria que os manuais fossem mais transparentes e indicassem as escolas que recebem principalmente alunos com notas 3 e 4. O processo de seleção é controlado pelos distritos e eles não especificam as pontuações. “É muito confuso para os nossos pais”, disse ela.

Como os resultados das provas da quinta série não estão disponíveis quando os alunos escolhem uma escola de ensino médio, as notas da quarta série são usadas na seleção. “Essas notas são de quando os alunos são muito jovens e isso pode afetar a sua vida até o fim do ensino médio”, disse Jaramillo.

Ela estima que 25 dos alunos da Escola Pública 24 a caminho de escolas de ensino médio de baixo desempenho se sairiam bem em escolas mais fortes.

Mariela Torres é uma estudante que Jaramillo acredita que iria prosperar em uma escola mais exigente. “Apesar das dificuldades de aprendizagem, ela é capaz de superá-las”, disse Jaramillo. “Ela é uma criança comprometida em ser bem sucedida”.

O pai de Mariela, Albino Torres, indicou a Escola de Matemática e Ciência Exploratória, uma das mais seletivas do bairro, como a primeira escolha da família. Dois alunos da Escola Pública 24 foram aceitos nela em quatro anos.

Mariela não foi, e Torres apelou.

“Pode ser uma falsa esperança”, disse Tamara Estrella, coordenadora de pais da Escola Pública 24. “Quase ninguém ganha uma apelação”.

Mariela não ganhou, e nem Aaliyah. Em setembro as duas meninas serão colegas na Dewey.

* Por Michael Winerip
Fonte: Último Segundo – http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/selecao+de+melhores+em+escolas+deixa+alunos+para+tras/n1597108071443.html

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