EL EMPLEO / THE EMPLOYMENT

Rafael de Almeida Campos*
Objeto pulsante, mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
Eu, etiqueta –
Carlos Drummond de Andrade

Santiago Grasso é desenhista, ilustrador e animador, formado pela Faculdade de Bellas Artes da Universidade Nacional de La Plata. Possui diversos curtas, dos quais se destaca “El Empleo”, um curta de animação argentina de 2008, premiado em diversos festivais. A animação nonsense mostra a rotina melancólica, ligada a um mundo desconexo, de um homem, que percorre seu caminho usual até o trabalho, na qual usar as pessoas como objetos faz parte do cotidiano.

Nesta animação, que retrata um mundo bizarro, onde tudo é substituído por pessoas, vemos que os personagens parecem lidar com grande naturalidade toda aquela estranheza do cotidiano.

No início, e durante o curta, o que vemos é uma animação surreal, onde todos os objetos de um mundo real – desde a mobília da casa, o semáforo do trânsito até ao mecanismo que movimenta o elevador de um prédio – são substituídos por pessoas. Porém, é no final do curta que entendemos toda a melancolia daquele homem, que percorre seu caminho até o trabalho para ter o mesmo fim que o dos outros personagens: de ser um objeto. No seu caso, de ser um tapete na entrada de um escritório de um burguês.

O final pertubador dessa animação mostra seu impacto e sua genialidade para transmitir uma crítica a sociedade contemporânea e ao sistema capitalista.

A partir destas críticas, podemos fazer um diálogo com uma categoria marxista: a reificação do homem; a transformação do homem em simples objeto. Karl Marx aponta a reificação do homem como um dos males mais nocivo originado do capitalismo(1).

Por fim, a crítica a sociedade contemporânea sintetiza a forma que as relações sociais estão deterioradas. É evidente o processo de desumanização das pessoas como algo natural, onde o valor das pessoas são medidos pelo que elas tem ou pelo que produzem e não pelo que são.

(1) Capítulo “A Mercadoria” do livro “O Capital” de Karl Marx

Referências Bibliográficas
EL EMPLEO. Santiago Grasso. Argentina: Opusbou, 2008.
MARX, Karl. O Capital. Coleção Os economistas. São Paulo: Nova Cultural, 1988

* Rafael de Almeida Campos é aluno do 2 periodo do curso de cinema e Video da UNA.

Fonte: http://mostramumia.blogspot.com.br/2012/06/el-empleo.html

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